Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Aos 65 anos, Wim Wenders continua emocionando gerações de cinéfilos

Cultura | 14.08.2010 DW World 


 

Há quase quatro décadas em atividade e com cerca de 40 filmes na bagagem, Wim Wenders é um dos diretores mais respeitados da atualidade. E, aos 65 anos, encara o desafio de dirigir seu primeiro filme em 3D.

 

Quem conhece algumas das cerca de 40 obras cinematográficas de Wim Wenders sabe que suas produções não são meros filmes, mas "pinturas com câmera", como ele mesmo define. O diretor, que completa 65 anos neste sábado (14/08), é uma das figuras mais importantes do Novo Cinema Alemão e do cenário alternativo internacional.
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No seu aniversário, quem festeja é o público: o cinema Arsenal, em Berlim, realiza durante as próximas semanas uma retrospectiva em que serão exibidos os principais filmes de Wenders.
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Vida na estrada
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Wenders é natural de Düsseldorf. Filho de médicos, largou as faculdades de medicina e filosofia com a intenção de se tornar pintor. Seu interesse por cinema surgiu em Paris, onde ele morou ainda jovem e tentou estudar artes, mas não foi aceito na academia. Foi em Munique, na Universidade de Televisão e Cinema, que a paixão tornou-se profissão. 
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Bildunterschrift: "Road movie": característica dos filmes de Wenders
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Dois de seus primeiros filmes, Alice nas cidades (1974) e No decurso do tempo (1976) já apresentavam o estilo road movie (filme de estrada), característica marcante de outras produções de sua carreira e de sua própria experiência de vida.
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Wenders se viu em várias situações à frente de uma estrada. No final dos anos 70, se mudou para os Estados Unidos, onde filmou o clássico Paris, Texas (1984), vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.
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A era dos anjos
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Uma das ideias mais geniais do cineasta, e que se tornou uma de suas marcas ao redor do mundo, é sua abordagem espiritual em Asas do desejo (1987) e Tão longe, tão perto (1993).
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Em Asas do Desejo, Wenders mostra com incrível sensibilidade seu ponto de vista em relação aos anjos – presentes entre nós, mesmo que não seja possível vê-los. Eles se vestem de preto, entendem todos os idiomas, gostam de alturas e circulam por bibliotecas, onde leem os pensamentos das pessoas. Apesar de serem imunes à dor, fome, medo, tristeza ou alegria, têm a capacidade de se apaixonar. 
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No primeiro longa ambientado em Berlim, o anjo Damiel (interpretado por Bruno Ganz) abre mão da eternidade e "pula" para a existência mundana para vivenciar o amor e todas as coisas boas e ruins que só a humanidade tem o privilégio de sentir.
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Os anjos Damiel (Bruno Ganz) e Cassiel (Otto Sander) Bildunterschrift: Os anjos Damiel (Bruno Ganz) e Cassiel (Otto Sander)
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A ideia de anjos circulando entre os humanos foi além dos filmes. Wenders dirigiu o videoclipe de Stay, Faraway so Close, do U2, em que Bono – um de seus grande amigos -, The Edge, Larry Mullen Jr. e Adam Clayton interpretam criaturas divinas pelas ruas de Berlim.
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Em 1998, nos Estados Unidos, foi filmado Cidade dos Anjos, um remake de Asas do desejo, com Nicolas Cage e Meg Ryan. A trilha sonora do filme contou também com a participação do U2, com a música If God will send his angels.
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Sempre atual
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Na capital alemã, Wenders é normalmente visto pelas ruas, andando de metrô, comendo uma tradicional "currywurst" ou nas idas e vindas dos aeroportos. 
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Apesar de estar há quase 40 anos no mercado cinematográfico, Wenders procura se manter sempre atualizado. Em 2006, ele fundou em Berlim a produtora Neue Road Movies, que incentiva diretores jovens e inovadores. 
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No momento, encara o desafio de produzir um filme em 3D: o documentário Pina, sobre Pina Bausch, a coreógrafa do Tanztheater Wuppertal que morreu repentinamente no ano passado.
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Ponto de vista brasileiro sobre o mestre
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Karim inspirou-se em partes de  
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O cineasta brasileiro Karim Aïnouz, diretor de Madame Satã (2002) e O Céu de Suely (2006), reside atualmente em Berlim. Em meio às filmagens de seu novo projeto, Aïnouz apresentou à Deutsche Welle um ponto de vista brasileiro, mas com um toque berlinense, sobre o diretor alemão:
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"Adoro o Wim Wenders lá do começo: O medo do goleiro diante do pênalti, O estado das coisasParis, Texas e sobretudo o Wim Wenders de Alice nas cidades. Estou fazendo um filme agora que em parte é inspirado em um longa de Wenders, na menina rindo quando o ator diz 'Wuppertal? Ja, Wuppertal!'

Há algo de deserto pop em Paris, Texas que influenciou toda uma geração. Além de uma paixão pela estrada, como um não-lugar, um lugar onde tudo é possível e um romantismo áspero, seco, que eu adoro.

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Seus filmes são inesquecíveis, fundadores. Têm um universo, um tempo e uma tristeza sombria e quase alegre. Que ele faça ainda filmes e mais filmes. Fico curioso em ver um filme dele sobre Berlim, hoje, 20 anos depois da queda do Muro.
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Sei que ele está fazendo um projeto sobre a Pina Bausch e fico supercurioso. É uma combinação ímpar que traduz uma geração da Alemanha pós-guerra, pós década de 70. Vai ficar incrível, com certeza."
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Autora: Julia Dócolas
Revisão: Carlos Albuquerque
 
 

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